quinta-feira, 8 de maio de 2014

O Top das 5 Piores Cidades da Road Trip

No inicio do ano fiz aqui o top das 5 melhores cidades, por que passamos durante a RoadTrip, contudo para cada lado positivo, tem que se encontrar o balanço, com o lado negativo. E claro, nem todas as cidades porque passamos eram incríveis e nos faziam vontade de lá ficar durante mais umas semanas, ou até mesmo mais uns dias. Algumas cidades tinham um efeito tão repelente, que nem mais um dia me davam vontade de lá passar. Houve tudo para todos os gostos.

Aqui fica então o top 5 das piores cidades da RoadTrip, sendo a primeira a pior cidade pela qual passamos, na minha modesta opinião.


#5 São Francisco, Califórnia

Uma das ruas típicas de San Francisco

A cidade New Age, capital dos pensadores liberais e dos que pensam fora da caixa. Dos hipsters, da comunidade gay, dos hippies, das start-up e vizinha do mundialmente famoso Silicon Valley. Cidade com o metro quadrado mais caro do continente, ruas a subir e a descer, casas de todas as cores, Alcatraz e a ponte Golden Gate. Esta é uma cidade diferente, uma cidade que se distingue do resto pela maneira liberal dos seus cidadãos pensarem e levarem o dia-a-dia. Amiga dos cães e de espaços verdes.

Se São Francisco tem tudo isto, se é uma cidade cheia de turismo, porque é que figura nesta lista?

Porque o outro lado da medalha é demasiado visível: é a cidade com o maior número de sem-abrigos que já vi, há um constante sentimento de insegurança quando se caminha pelas ruas e todo esse pensamento revolucionário, neste caso, acabou por dividir mais as comunidades do que aproxima-las. Toda a gente pensa de forma diferente, que acaba por pensar da mesma forma.

Pode ser uma diferença cultura, mas para mim é estranho passar no centro da cidade e haverem ruas proibitivas de se passar, ou quarteirões inteiros como o Tenderloin infestados de tráfico de droga e criminalidade. Sim, no coração da cidade e do outro lado do distrito financeiro.

E o que dizer de Oakland, do outro lado da baía? Ao passar de carro por lá à noite senti que nos iam balear o carro a qualquer momento. Uma tensão fora do comum no ar, própria de uma zona de guerra, não de uma zona suburbana.

Só a beleza da cidade é que a salva de não estar num lugar mais acima.


#4 Montreal, Canadá

O lado positivo de Montreal que não conheci

Talvez este seja um lugar injusto, se calhar Montreal merece estar fora desta lista. Mas quando a visitamos, nada correm bem e depois ainda houve mais algumas coisas que correram mal. Resumindo, para nós não houve absolutamente nada de positivo nesta cidade.

Saímos de Nova York e estava Verão, todos nos tínhamos apaixonado e de um dia para o outro, estávamos com temperaturas quase abaixo de zero e dormíamos na sala de um tipo de cinquenta anos, partilhada com mais 7 pessoas.

Depois não havia pessoas na rua, demasiado frio. Depois escurecia às 4 da tarde. Depois recebemos três multas de estacionamento, - ainda hoje por pagar. Depois não havia noite ou raparigas. Depois a gasolina era cara.

A única coisa positiva de Montreal foi a comunidade portuguesa que me permitiu beber um café a sério e comer frango de churrasco, com um pastel de Belém para finalizar a refeição. Depois disso, não conseguia aguentar até chegarmos a Toronto.

Éramos para ter ficado sete dias em Montreal, acabamos por ficar 3 e durante o resto da viagem uma das nossas piadas preferidas era dizer: "Fuck Canada!"

Conseguem perceber porquê...

Acredito no que outras pessoas, que conhecem Montreal no Verão me dizem: uma das melhores cidades do mundo. A sério que acredito. Mas não quando lá estive, nem de perto.


#3 Nova Orleães, Louisiana

A praça histórica da Nova Orleães, no coração do bairro francês

Furacão Katrina. Uma lâmina que deixou uma cicatriz permanente na cara desta cidade. Bairros inteiros abandonados, ruas que não foram arranjadas e que só carros todo-o-terreno é que conseguem circular e depois uma pobreza aflitiva nas ruas. Aqui não era o número de sem-abrigos, mas sim a evidência de que a maioria da população era pobre, pobre de uma forma radical para um europeu.

Senti que os habitantes de Nova Orleães foram esquecidos pela Casa Branca, senti que depois do furacão mais ninguém se interessou pela cidade, por criar empregos, por arranjar as escolas, por dar um futuro às pessoas que perderam tudo.

Nova Orleães perde por isso, porque tem um centro fora do comum. Em que se tivesse aterrado lá, sem saber de onde era, diria que estava na Europa. O Bairro Francês é o exemplo mais perfeito disso. O bar mais antigo da América é uma pérola negra que fica por visitar por tantos turistas que por lá passam. A cena jazz e blues não tem par em todo o mundo e contudo... A pobreza das pessoas é mais visível que tudo o resto que as margens do Mississipi possam ter para oferecer.

Como se a pobreza não fosse o suficiente, houve mais um elemento que para mim deitou todas as esperanças de Nova Orleães fugir a este lugar: quando lá estivemos todos nós nos sentimos doentes e quase que demos por terminada a RoadTrip. Só tive uma crise de ansiedade na minha vida e foi exactamente nesta cidade. Se te contasse os planos que tínhamos quando saímos de N.O. provavelmente não acreditavas. Obra de alguma feitiçaria voodoo?!



#2 Nashville, Tennessee

Um dos vários bares de Nashville

Há algo que não gostei e continuo a não gostar em algumas cidades americanas: arranha-céus no meio do nada. Pérolas de luz no meio da escuridão. Grandes centros que aglomeram tudo à sua volta. Nashville para mim tem uma descrição: pobreza, droga e esperança.

Esperança que alguém repare em ti enquanto tocas na rua, esperança que o teu disco seja editado, esperança de que esta seja a primeira vez que consomes droga pesada, esperança de um dia sair da rua, esperança...

Nashville é a capital do rock n'roll americano. Com isso vêm muitos sonhos perdidos. Vem uma pobreza no centro da cidade estranha,  que contrasta profundamente com as grandes vivendas nos arredores. Lados da mesma moeda.


#1 Atlanta, Georgia

Por baixo de uma das várias auto-estradas que cruzavam o centro da cidade

Há algo de profundamente errado com Atlanta, no coração da costa Leste, a grande cidade do interior ergue-se em enormes arranha-céus e auto-estradas que cruzam o centro da cidade. Ao par das maiores cidades europeias, Atlanta é uma super-cidade que aparece no meio do nada e que se vê como um pólo aglutinador de todas as outras cidades naquele estado e nos vizinhos.

Contudo, há uma energia estranha no ar. Numa cidade em que todos querem ser gangsters, em que é normal gabarem-se de como já foram presos ou têm dez armas em casa, ou se repara nas casas antigas e mal-arranjadas percebe-se que esta cidade foi assaltada por uma pobreza que a destruiu aos bocados. A cultura rap e gangster não ajuda e pessoas com trabalhos respeitáveis falam como se a sua vida fosse um vídeo do 50 Cent. Não há nada de real na cidade, não havia qualquer ligação entre as pessoas e para além do museu da Coca-Cola e da cena Jazz, não existem quaisquer razões para se passar por lá.

Aquilo que decide para mim este primeiro lugar foi o facto de estar no jardim da casa de uns recém conhecidos e de repente ouvirem-se dois estouros no ar. Perguntei-lhes o que era aquilo e eles, com a cara mais normal do mundo, habituados a esses barulhos e sirenes da policia dizem: "São tiroteios, é normal aqui em Atlanta."

Não para mim, obrigada.

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