quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O Aventureiro, a Mulher e o Herói (parte 2)


.... Acabou por nunca acontecer.

Vamos voltar à cena em que estou a esmurrar a cama. Lá estava eu, a dar socos no ar e no chão e na cama, depois de lhe mandar quatro mensagens e de lhe ligar três vezes, perguntando-me porque é que o universo me ODIAVA TANTO.



Eu tinha passado um fim-de-semana INCRÍVEL a ser eu mesmo, a perseguir mulheres, a conhecer raparigas bonitas e lá estava eu, no chão, sem esperança. E eu pensava que já tinha percebido tudo.

Na minha vida, eu fui de ser terrível com mulheres, não sendo capaz de dizer fosse o que fosse a uma rapariga, para uma máquina. E lá estava eu, sentindo que tinha voltado à estaca zero.

Eu pensei que tinha acabado...

Mas na verdade tinha acabado de começar. (Também, uma história para outra altura...)

E isto leva-me até ao momento presente. Depois de ter tido uma jornada inacreditável com os meus irmãos João, Jordan e Knut, cheguei a casa e eu sabia que precisava de saber quem  eu era mais uma vez. Por isso, eu decidi que era altura de tirar algum tempo para mim, de não abordar raparigas e só me focar no meu bem-estar.

Sem raparigas. Só eu com a minha Mente.

E isto, meus amigos, é a Viagem do Herói.

Uma pessoa deixa a sua casa para trás, a sua zona de conforto, a sua maneira usual de viver. Eles espreitam para fora e caminham em frente e eles vêm o mundo por aquilo que este é na verdade. Eles encontram os seus dragões. Eles têm uma escolha de fugir, voltar para a sua antiga vida, ou continuar a caminhar em frente. Eles caminham em frente e enfrentam os seus dragões de cabeça. Eles até podem falhar em os destruir da primeira vez. Mas eles continuam a tentar, e eles acabam por chacinar os seus dragões interiores, e eles voltam para casa a contar a história das suas viagens.

A Viagem do Herói.

É isto que pode parecer se tu regressas-te e não tens uma mudança real. Mas deixa-me dizer-te, tu cresceste mais do que podes imaginar. Tu conheces-te a vida de uma forma que nunca conseguirás medir correctamente. Tu vieste de não saber nada, para saber tudo e agora tu percebes que apenas sabes um pouco, nada de mais, na verdade.

Mas tu estás pronto para aprender mais. Tu estás pronto para sair da tua gruta de novo. Tu estás pronto para viver todo o teu potencial, para tomar riscos, e liderar uma vida que vale a pena ser partilhada, o bom e o mau.

Não há outra maneira de viver a tua vida ao máximo. De certeza que irá ser diferente para ti, mas compreende apenas isto: Vai ser bom. E também não vai ser assim tão bom. Se calhar até vai ser terrível. Mas irão haver sempre as vezes que tu irás chacinar os teus dragões. E tu vais mudar como pessoa por causa disso.

Não desistas das coisas que tu desejas. Persegue-as.

E lembra-te:

Ya Tebe Kohaiu












~ Cory Chiasson

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

O Aventureiro, a Mulher e o Herói (parte 1)


Então eu volto a encontrar-me sem saber nada. Mas desta vez é diferente. Na verdade eu sei. Eu acabei de vir num círculo completo e isso é algo incrível. É a viagem do herói. Eu saltei em frente...

Deixa contar-te uma história:

Era uma noite quente em Miami e eu estava sentado no chão frio, a dar murros na cama e a gritar "Porquê!!! Porquê!!! AAAAH"


Vamos fazer o ponteiro andar para trás algumas horas. Eu tinha acabado um evento de um fim-de-semana, a que nós chamamos "A Maneira de Abordar." (Um fim-de-semana em que deixamos uma série de homens falarem com mulheres, mostrando-lhes que não há problema nenhum em se expressarem, dizendo às raparigas como as vêm e claro, fazemos que eles corram atrás delas pelas ruas. É algo que ajuda estes homens a ultrapassar os seus medos e a melhorar a qualidade das suas vidas. É algo lindo e fascinante.)

Mas, neste fim-de-semana as coisas eram diferentes... eu era um estudante.

E que estudante terrível eu fui... durante algumas horas. (Uma história que fica para outro dia.)

E depois eu fiquei louco.

Eu fiz coisas que nunca sonhei em fazer.

Eu persegui raparigas pelas ruas. Eu parei uma rapariga num skate, quando ela vinha na minha direcção. Eu parei uma rapariga que guiava uma bicicleta. Eu até saltei de um carro, quase, em movimento para perseguir uma beleza, no vestido de verão mais sexy que alguma vez alguém há-de ver. (E eu esqueci-me do meu telefone, por isso tive que decorar o número de telefone dela. Eu consegui!)

Eu fui até uma mesa com dois gajos e uma rapariga e perguntei-lhe se os tipos eram namorados dela. (Parece simples agora, mas da próxima vez que vires uma rapariga com dois tipos na mesma mesa, pergunta-te se és capaz de fazer isso.) - e depois fomos num grande encontro instântaneo.

Foi um fim-de-semana incrivel. Eu percebi o verdadeiro valor que eu tinha  e que isso ia acabar com os meus medos passados e que eu podia fazer aquilo que eu quisesse.

Até que... a conheci.

Era a última noite em Miami. Eu tinha ido dar um passeio, para pensar sobre tudo aquilo que tinha acontecido durante o fim-de-semana, e para estar só comigo mesmo.

Houve um ponto em que eu senti a necessidade de me virar para trás e dizer algo, a quem quer que fosse que estivesse atrás de mim. Eu lutei contra esse sentimento durante cinco minutos, ou algo parecido. Porque eu sabia que era uma rapariga. Eu hesitei... mas depois acabei por me virar.

Lá estava ela. Alta, elegante, cabelo castanho que voava nos seus ombros, suave e com uma presença que me deu arrepios pela espinha. Um sorriso que acalmava a mais hóstil de todas as nações.

Eu não me lembro do que disse, mas nós caminhamos e falamos. Ela era da Ucrânia. (Ela estava com uma outra rapariga bonita do Leste. O nome do país escapa-se da minha mente.)

Em breve nós dissemos adeus e eu fui comer alguma coisa.

Quando caminhava de novo para a nossa casa, eu passei à frente de um salão de chá e ouvi o meu nome a ser chamado, "Cory! Junta-te a nós."





Era ela.

Eu juntei-me.

Falamos durante duas horas. Eu aprendi que ela era bailarina na Ucrânia, mas ela desistiu disso para perseguir a vida que ELA queria, e a aventura de viajar, aprender e crescer. Eu pedi-lhe para ela dançar, provavelmente umas 10 vezes. Ela era envergonhada e recusou educadamente cada pedido. Eu ainda me lembro da cara dela, e da inocência e da beleza que ela partilhou comigo.

Ela até me ensinou algumas palavras de ucrâniano - Ya Tebe Kohaiu - O que significa "Eu Amo-te."


E eu disse-lhe isso, não mais que 20 vezes, acho que não exagerei.

O sorriso dela iluminava toda a cidade de Miami.

Nós seguimos e caminhamos lado a lado até ao hostel dela e eu disse-lhe que precisava de a ver outra vez. Trocamos números e fizemos planos para nos encontrarmos numa hora.

Eu comecei a planear, na minha cabeça, a experiência romântica mais perfeita de sempre - fugirmos para a praia, sentarmo-nos na torre do salva-vidas, olharmos profundamente para os olhos um do outro, aconchegarmo-nos e aproveitarmos a companhia um do outro.

Eu construí essa visão tão alto na minha mente, mas...

( A continuação deste texto será publicado na quinta-feira )
















~ Cory Chiasson

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O Dia Em Que Me Tornei Um Vagabundo...

... Pelo menos para a minha família e para os amigos mais próximos.

Se tu decides ir viajar, seja por um mês, seis meses ou um ano: tu és um vagabundo, irresponsável, sem noção do que é viver, preguiçoso, inconstante, sonhador, mimado, sem futuro nenhum. Isso mesmo, se decidires que aquilo que queres fazer da tua vida é viajar e escapar à rotina padrão da sociedade é isso mesmo em que te irás tornar.



Ou será aquilo que a tua família vai pensar.

Corriam os primeiros meses de 2012 quando decidi pegar no dinheiro que tinha acabado de receber da bolsa de estudos e viajar desde Budapeste para o Porto, de comboio parando em sete capitais europeias. Até aqui, nada de mais, era só "um sem noção do valor do dinheiro."

Alguns meses depois, decido fazer uma viagem a Las Vegas e agora já me começava a tornar num inconsequente.

E há seis meses atrás decidi que me iria tornar em tudo aquilo que escrevi acima. Ao contrário do que eu estava à espera, não houve confettis, abraços, sorrisos de felicidade e incentivos de: "Vai, estás a perseguir o teu sonho!" Não, tudo o que houve foram discussões, gritos, protestos à minha irresponsabilidade, que me iam expulsar de casa, choro compulsivo porque estava a atirar a minha vida a um caixote do lixo e algum tratamento de silêncio. Para não falar nas caras dos meus amigos de total perplexidade quando lhes contei o meu plano de viajar durante 2 meses pela América do Norte.

Como eu era inocente...

Se neste momento fechares os olhos e pensares no próximo destino que queres viajar, e um grande sorriso se formar na tua cara, então... viajar é algo que terá mais valor do que qualquer outra decisão que possas tomar.

Não deixes que ninguém dite ou comande a tua vida, quando aquilo que tu queres fazer é... ser um vagabundo, irresponsável, inconsequente e... Tu percebes.

A reacção das pessoas de quem eu esperava maior apoio era como se estivesse enterrado em heroína. As caras de pânico, os abanares de cabeça, os gritos e o choro... foi exactamente o mesmo. Ainda por cima, eu estava a desistir de um mestrado (!!!) para viajar durante dois meses.

Isso piorou ainda mais, era como se estivesse na heroína, sem casa, com ameaças da máfia, a dever dinheiro a barões da droga e perseguido pela Interpol.

Contudo...

Há algo que as pessoas que nunca viajaram por longos períodos de tempo não percebem: Por mais dinheiro que gastes, por pior que seja as privações que passes enquanto viajas, por mais "sem futuro" seja viajar... nada irá contribuir mais para o teu crescimento como viajares.

E não... uma ida a Madrid durante um fim-de-semana não conta.

Quão bem te podes conhecer se nunca te encontras-te perdido às três da manhã numa cidade desconhecida, sem telémovel, sem mapa e sem saber onde vais dormir?

E há uma razão para as pessoas há tua volta terem essa reacção. Quando nós vemos alguém ao nosso lado a cumprir os seus sonhos, a fazer aquilo que nós gostávamos secretamente de fazer, mas nunca fizemos: então criticar é a melhor defesa que conseguimos arranjar.

Criticamos porque... gostávamos de fazer o mesmo, mas não temos essa coragem.

Por isso, se alguma vez te encontrares na posição em que me encontrei, encara as críticas, os gritos e as caras de pânico como sendo a confirmação que estás a fazer o que é certo.

Se queres mais um exemplo disso: Num domingo à tarde, em Austin com o sol a brilhar e de sandálias nos pés, falava com um amigo nosso sobre o facto de naquele momento poder ter que estar a estudar para um exame que não me interessava para nada, de uma matéria que eu odiava e que me fazia amaldiçoar a vida... Enquanto, que por ser um vagabundo irresponsável, estava a aproveitar os 28º graus de um dia de Outono e ia a caminho de me encontrar com uns amigos mexicanos que conhecemos na noite passada....

Se seguires o teu coração, então nunca poderás estar errado. Se aquilo que queres é viajar, então nenhuma crítica te deve demover disso mesmo.



sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Diário do Caderno Preto

21 de Novembro, 2013

Todo o dia sentado no J.P.'s Java, agora à espera do Jordan e do Knut para falarmos sobre o plano dos próximos dias. Dia de escrita, planos de negócios e leitura. O Jordan chegou a meio da tarde para discutir os planos dos próximos dias. Se estávamos a pensar ir até Phoenix, então essa ideia saiu do mapa porque o Knut não tratou dos contactos.

Novo plano: amanhã Santa Fé, Sábado e Domingo vai ser Las Vegas, seguido de Yosemite, terça Modesto e na outra segunda São Francisco. Gosto desta nova ideia!

Vamos até casa do Steve, brinco com os cães dele e o Jordan cozinha enchiladas. Vamos até às Bedpost Confessions, o Steve tinha que trabalhar mas ficou entusiasmado com a ideia e resolveu juntar-se. A conversa não foi nada de mais, um grupo de mulheres a falar sobre sexo oral e que gostam de sexo. O Jordan acha que estas mulheres estão ligadas ao seu lado sexual. Eu acho que isto não é mais do que exibicionismo e uma tentativa de fazer comédia. Por alguma razão sempre acreditei que a comédia não é o ponto forte do sexo feminino. Quantas mulheres comediantes, e que têm realmente piada, é que conhecem? Contínuo convicto disso.

Vou comprar comida com o Austin e para aliviar o meu sentimento de culpa de ser agarrado a dinheiro nestes últimos dias acabo por pagar toda a despesa. O Cory está no quarto com a miúda que apareceu para o Salón. Não sei o que fizeram e não tenho grande interesse em saber.

Jantamos e arrumo as coisas.


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Conduzir em Brockton no Canyonero

Este foi um dia memorável, o dia em que chegamos a Brockton, nos arredores de Boston e em que compramos o Canyonero, também conhecido pelo seu nome de nascença Jeep Cherokee Sport. Brockton é uma das piores zonas dos arredores de Boston, e foi lá que conhecemos o Gersón e a Liliana que trataram da venda do carro. Com eles falamos sobre o Brasil, sobre futebol e como ele sendo do Paraná era adepto do Corinthians e se recordava de ver o Liédson a marcar pelo Timão.

Depois foi isto, encher o depósito e eu tocar com o pé na saia lateral e um pedaço de ferrugem caír no chão e se desfazer em pó. Apenas restou um grande buraco, por baixo da porta do condutor. Admito, a culpa foi minha...

Agora deixo-vos com as memórias desse dia.




quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Comunicado

Esta semana, ao contrário daquilo que tem sido normal até agora... Não vai escrever nenhum texto para o blog. A razão é muito simples: desde que cheguei dos Estados Unidos que a minha ideia é a de escrever um livro sobre a viagem e isso é exatamente o que estou a fazer durante esta semana.

Nos últimos dois dias já foram escritas mais de 18 mil palavras e hoje será um dia igual, apesar de a cabeça deixar de fúncionar, não conseguir dormir e muito provavelmente ter que reforçar a graduação dos oculos quando o livro estiver terminado. Mas se estiver terminado, então valeu tudo a pena...

Mesmo esta semana em que não irei escrever nenhum texto. Contudo, lá para o final da semana é provavel que apareça por aqui mais um vídeo da RoadTrip.

Mantém-te atento.


quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O Top 5 das Cidades de 2013

Primeiro texto do novo ano de 2014!

Ao estar no norte chuvoso de Portugal, sentado à frente do computador, a pensar no próximo texto a escrever, resta-me coçar a cabeça perdido nos pensamentos e sentir um pouco as saudades que tenho das temperaturas tropicais de Miami ou do calor primaveril da California. Contudo, por muito que pense nesses locais continuo aqui sentado, com uma pastilha elástica na boca, que não se vai tornar mais saborosa enquanto escrevo isto...

E assim antes de começar a pensar nas novas aventuras, nas cidades que quero visitar, nos amigos a re-encontrar, é tempo de olhar para trás, para as tantas cidades, estradas, rios e montanhas, porque passei no ano de 2013. Como viste na página do Facebook do Via Sunset, eu disse que ia abrir este ano com um texto diferente dos que tenho escrito até aqui... E assim, para tua surpresa hoje vou deixar aqui o Top 5 das cidades Norte-Americanas que visitei no ano passado. Contudo, o critério de selecção e classificação não foi: Qual é a cidade mais bonita/ agradável/ melhor para passar férias/ que tem melhor entretenimento... Não, o critério foi mais abrangente, e apesar de ter englobado todas as facetas acima mencionadas, a selecção que escolhi baseou-se em "Qual era a cidade em que mais gostava de viver?" .

Por isso, se visitares alguma destas cidades e acabares a reclamar que "Fui enganado por aquele tipo que tem um blog! Ele disse que esta era uma das cidades mais agradáveis que visitou e esta porcaria parece uma lixeira industrial tóxica!", ou que estão aborrecidos, ou que não há nada para visitar... A culpa não é minha... Contudo, se tiveres alguma reclamação sempre podes fazer uma doação para este blog ( ao lado direito da caixa de texto), que sempre é mais provavel de ter toda toda a minha atenção, do que se berrares em Caps Lock que afinal Nova Orleães não é nada europeia e não tem gelados italianos. Por isso doação primeiro, reclamação em segundo :)

À tua própria conta e risco, aqui fica o:

Top 5 das cidades de 2013

5# Austin, Texas


No coração das planícies do Texas, com o capitólio no topo da verdejante colina, com frondosos parques no lado sul do rio, com a brisa texana de Novembro a 27º, com as ruas ordenadas e limpas e com a enorme Congress Avenue a cidade ganha uma tranquilidade tão surpreendente e agradável, que todo o significado da palavra Texas se alterou na minha mente . Austin fica a sul do Bible Belt, - a zona onde todas as pessoas são católicas fervorosas, conhecidas pelo seu gosto por armas e politicas conservadoras, que se estende desde o norte do Texas até à Georgia - e a norte de Houston, a cidade do petróleo. Ali, entre esses locais tão distintos, Austin aparece como uma lufada de ar fresco, um local para relaxar e aproveitar o ritmo lento da vida.

Austin é a melhor cidade do Texas, e a melhor de todo o sul dos Estados Unidos, com uma vida cultural sem ímpar, com um espírito de festa único e um calor humano típico dos estados do sul. Para aumentar este lado festivo da cidade, na semana em que lá estive foi o Grande Prémio de F1: milhares de pessoas inundaram as ruas com uma energia efervescente, contagiante e que ultrapassava os próprios contornos da prova: ruas cortadas, camiões abertos com música e concertos e... bares cheios, discotecas sem pagamento à entrada e com Top Models de classe mundial. Esses dias não são fáceis de abandonar a memória...

E nos dias normais? Nos dias normais, Austin continua a ser uma cidade alegre em que o cheiro a comida mexicana inunda as ruas, os jardins das cidades se enchem de estudantes, os restaurantes se abrem em pátios de terra batida e os grelhadores de barbacue texacano não têm descanso, onde o calor te faz sorrir ao acordar e as pessoas trocam cumprimentos quando se cruzam na rua, onde o pôr-do-sol não tem igual e milhões de morcegos acordam e levantam voo cobrindo o céu de negro no seu enorme bater asas conjunto... E os dias de futebol universitário? Aí toda a cidade pára e há festas espontâneas na rua com muita cerveja e comida grátis e muito mais. Todos os dias nesta cidade há dezenas de bares com música ao vivo, onde se bebem bebidas fortes e onde se passeiam raparigas em calções de ganga e botas à cowboy que te fazem ter vontade de por ali ficar e ser feliz para sempre.


4) Toronto, Ontário, Canada





Toronto não é a capital do Canadá, mas é uma cidade única no seu país e difícil de encontrar em todo o mundo, a melhor descrição é dizer que é uma Nova York mais pequena, com a pequena diferença de ser mais multi-cultural. Mais que Nova York? Sim, 56% da população de Toronto é estrangeira, ou de origem estrangeira, o que dá uma personalidade única à cidade. As variedades são imensas, desde a comida, às lojas de conveniência, às lojas de roupa e por toda a atmosfera que nos segue por onde quer que estejamos.

É impossível fugir às lojas de sarongs da Little Ethiopia; à música do Marco Paulo no meio de uma rua em Little Portugal (um dia coloco aqui um vídeo); aos cafés italianos, que servem espressos europeus, da Little Italy e às cozinhas abertas de comida caribenha. E todos os outros bairros que existem na cidade são demasiados para poderem ser contados: japoneses, vietnamitas, sul-africanos, cingalês, polacos, coreanos, chineses, mexicanos, indianos, colombianos e nigerianos...

Toronto é uma especiaria rara, em que as mulheres são exóticas, a comida deliciosa e se pode ver o Sporting a jogar pela SportTv e beber café europeu. Toda esta diversificação cultural e social aliada ao movimento frenético da downtown, às luzes néon que cobrem a cidade, ao trânsito caótico, às mega-discotecas, aos shopping's, à CN Tower, aos arranha-céus e a uma população de 6 milhões de habitantes, faz de Toronto uma das cidades mais dinâmicas e mais energéticas que existem. Não fosse o frio canadiano, diria que era uma cidade perfeita...


3# Los Angeles, California




Los Angeles é uma cidade marcada pelos seus problemas: a alta taxa de criminalidade, bairros violentos, a artificialidade de tudo e a imposição do betão cinzento, a falta de cultura, as ruas sujas e sem manutenção, o rio poluído, a inexistência de espaços verdes , a fraca rede de transportes públicos e o trânsito, reconhecido mundialmente pelos engarrafamentos de horas....

Sim, L.A. é uma cidade completamente disfuncional e sem-sentido, só para dar uma ideia: para ires de Santa Mónica para Hollywood ou para a Downtown, tens que ir pela auto-estrada. Dentro da cidade tens que ir pela auto-estrada? Nada para um europeu podia ser mais estranho.

Para mim L.A. também aparece aqui com surpresa, mas não pude ignorar o tempo que passei lá, nem posso esquecer que L.A. continua a ser o local onde as "coisas acontecem", onde existe uma vida nocturna sem comparação, onde Santa Mónica e Venice Beach são locais verdadeiramente agradáveis para se viver, - um verdadeiro óasis no meio do deserto -, onde as pessoas são simpáticas e gostam de falar, onde encontras toda a América Latina e uma boa parte da Ásia no mesmo local. E assim dentro da cidade há outras cidades: Hollywood com as suas discotecas de alta-classe e com casas de strip na porta ao lado; Venice Beach com as palmeiras, praias e yoga; Santa Mónica com o seu emblemático pontão e a 3rd Street Promenade; Beverly Hills e as suas mansões multi-milionárias; os restaurantes étnicos um pouco por toda a North Hollywood: arménios, persas, mexicanos, brasileiros, jamaicanos, tailandeses e claro... portugueses! 

E quando se quer fugir do trânsito caótico da cidade sempre há a praia, a montanha, a estrada do Pacífico, cheia de praias escondidas e paisagens magnificas, e o deserto: tudo a menos de 45 minutos de viagem, com trânsito claro! Não gostas de nada disto, a tua ideia de diversão e tempo bem passado é a esquiar, num resort, rodeado por neve? Não há problema, só tens que conduzir 3 horas para Norte e chegas a Yosemite. Para acrescentar e apontar o óbvio, Los Angeles é a capital social da costa Oeste, a 2 horas de San Diego e Tijuana, a cinco de São Francisco, e duas de Santa Bárbara. É difícil bater essa centralidade, a energia que se confunde num misto de relax e stress, de agressividade e tranquilidade, de homens durões e mulheres mexicanas que nos encantam, e o constante fluxo de eventos para todos os gostos, que acontecem todos os dias. Em Los Angeles ninguém fica de fora!


2# Miami Beach, Flórida



Miami Beach é tão maravilhosa, tudo aquilo que desejaste, tão perfeita no seu conceito que em uma semana apenas visitei por uma noite a verdadeira cidade de Miami, a parte continental.

Um pouco ao estilo de Los Angeles, em Miami Beach tudo é artificial: a ilha é totalmente construída pelo homem e quando caminhas pela praia consegues sentir o cimento por baixo da areia! Contudo, a beleza clássica dos prédios e bares em Ocean Drive, a essência cubana que está no ar que se respira, os corpos tatuados e tonificados que gostam de se passear à frente da praia, os prédios na linha de costa, as palmeiras nas ruas, a actividade relaxada de quem está sempre de férias em Lincoln Road, o culto do corpo que faz com que todas as lojas e cafés sejam saudáveis, a beleza das mulheres e o conforto, que ao inicio é estranho, das pessoas começarem a falar contigo apenas porque...sim. E não me posso esquecer das tardes de praia a meio de Novembro, em que a temperatura nunca desce dos 24º graus.

Miami não é real, é um sonho construído pelo homem e que apesar de não haver cultura, ou um sentido de identidade do quer que seja... A sua beleza é tão fascinante, tão refrescante, tão quente que sinto vontade em apanhar o próximo avião e ficar por lá durante uns meses, em férias permanentes tal como um local.


E agora, o incontestável peso-pesado e campeão, o eterno número 1:
 
NEW YORK CITY, N.Y.
 


Nova York tem o lugar número 1 nesta lista, porque... é Nova York. Esta é uma cidade que me deitou ao tapete, que me fez sonhar em viver lá como nenhuma outra cidade o fez. Nova York não dorme, Nova York tem uma energia como nenhuma outra cidade, os habitantes de Nova York têm uma força como nunca conheci e digo isto apenas conhecendo uma parte da cidade que é Manhattan. Eu compreendo a razão de haver pessoas que dizem que nunca irão sair de Manhattan, que não precisam de conhecer mais nenhum local do mundo... Sim, por incrível que pareça, consigo compreender isso.

Manhattan é o centro do mundo e quem vive ali, vive numa realidade à parte. Se queres fazer compras, ali arranjas o que não há em mais lado nenhum. Queres discotecas/ bares/ lounges? Estão ali os melhores do mundo. Queres encontrar o amor da vossa vida... Ya, aposta em Nova York! Não existe outro local na terra com uma tamanha beleza natural, é impossível!

E o que dizer do Central Park, da Estátua da Liberdade, da 5th, 6th e 7th Avenue, de Times Square, de Wall Street, do Chrysler Building, do Empire State, da Brooklyn Bridge e da ponta que liga a ilha a Queens? Como se pode descrever os bairros de Chelsea, de Greenwich Village, do Soho? Não se pode... Tem que ser vivido, respirado, sentido e ganhar a vontade de sentir tudo isso outra vez, e outra e outra. Nesta cidade cada tijolo, cada pedra do chão tem uma história para contar e ali formam-se imagens tão marcantes pela sua vulgaridade que ficam contigo para sempre, uma vez que as vejas: um táxi amarelo que cruza a 7th Avenue, um camião do lixo que limpa uma rua, uma rua que está em obras e ali se trabalha às 5 da manhã como se fosse meio-dia. Os relógios não vivem em N.Y., porque tudo acontece agora. Em todas as suas imperfeições, Nova York é perfeita.

Não há comparação a Nova York, é a cidade mais cultural, dinâmica, clássica, turística, entusiasmante, bonita, inatingível, rápida e que nos aspira para dentro do seu próprio mundo, fazendo-nos não querer mais sair. Nova York é onde os sonhos se tornam realidade... E quando vou dormir e fecho os olhos é Nova York que vejo.