segunda-feira, 23 de junho de 2014

Mais Barato Pode Ser... Mais Caro!!

Por vezes o mais barato sai caro.

Na normal tentativa de poupar dinheiro, quando se viaja, muitos de nós temos a tendência de escolher sempre o hostel mais barato, a solução que não nos obrigue a tirar mais dinheiro da carteira, o restaurante mais acessível, o voo menos dispendioso...

Contudo, com o passar dos anos e com a experiência de diversas viagens aprendi que nem sempre o mais barato é... mais barato!

Sim, é verdade!

Se já sabia isto, na última viagem que fiz de Budapeste para Portugal, acabei por ter a confirmação absoluta desta falácia do viajante.

O que aconteceu é que por uma diferença de 60€ marquei as passagens através de duas companhias low-cost. (Apesar de não gostar de divulgar pormenores, desta vez vou ter que o fazer, tendo em conta aquilo que me fizeram). De Budapeste seriam 2 horas até Eindhoven, mais seis horas de espera, mais 2 até chegar ao Porto. Wizzair mais Ryanair.

Até aqui tudo bem, porque a outra solução era ir pela TAP. E eu preferi salvar 60€.

Contudo, qual é a minha surpresa quando ao entrar para o voo da Wizzair me é perguntado se viajo com uma mala de cabine grande ou pequena. Eu não sabia que havia uma diferenciação entre malas de cabine e por isso olhei confuso para a senhora que me colocou a pergunta. Ao olhar para o espaço em que era suposto enfiar a mala, percebi que apenas se transportasse uma mochila (pequena) é que iria conseguir colocar ali a minha bagagem.

"Grande.", disse, confuso e sem perceber o que estava prestes a acontecer.
"Então, tem que pagar uma multa de 45€ por não ter registado que transporta uma mala grande consigo."

Eram 4 da manhã, não tinha dormido nessa noite, estava ligeiramente alcoolizado e sem entender o que aquilo significava vi serem-me roubados 45 euros com um profissionalismo de mestre.

Ou seja, devido a uma política que apenas lembra a gatunos profissionais, logo vi o meu orçamento ser reduzido e a margem de salvação que tinha de 60€ passou a ser reduzido para 15...

Ao chegar a Eindhoven às 8 da manhã e sem nada para fazer, resolvi apanhar o autocarro até ao centro da cidade: a estação de comboios. Quando lá cheguei... Bem, aquilo era uma estação de comboios no meio de uma zona meia-urbana, meia-industrial e não havia absolutamente nada para se fazer. Zero esplanadas, zero cafés, zero movimento pedonal. Olhei à volta e percebi imediatamente o erro que tinha acabado de cometer. Fiquei duas horas, a matar tempo, a olhar para paredes e para o movimento constante de autocarros que chegavam e partiam. Ida e volta para o aeroporto custou-me no total 7€. Tendo em conta o meu pequeno almoço de duas sandes, acabei por perder mais dinheiro do que se tivesse marcado um vôo directo pela TAP.

Para além do dinheiro, tinha ganho tempo, energia, comida, claridade mental e não tinha que aturar um roubo descarado às 4 da manhã.

Como podes ver, por vezes o mais barato... é bastante mais caro.



(A ser continuado...)

terça-feira, 17 de junho de 2014

As Margens do Danúbio São Minhas

Budapeste, Húngria

Desde o inicio desta viagem que haviam poucas coisas sobre as quais tinha a certeza. Uma delas era que o destino final iria ser Budapeste. E surpresa das surpresas... Cá estou!

Eu tenho uma relação engraçada com esta cidade, porque vivi aqui quase um ano e sempre que posso volto a aterrar aqui, de uma maneira ou de outra. Há varias coisas apelativas nesta cidade e se é um paraíso turístico, - que é -, o meu principal interesse prende-se com outras actividades e locais, que a maioria dos turistas acaba por nunca conhecer.

Verdade, conheço estes sítios porque passei aqui muitos meses...

Contudo, enquanto que por aqui ando, não tenho qualquer interesse em visitar a Catedral de São Estevão, tirar fotografias à frente do Parlamento ou visitar a Praça dos Heróis. Já visitei todos esses locais mais que uma, duas ou até dez vezes e por isso o meu percurso nesta cidade acaba por centrar-se em cafés escondidos, esplanadas, bares e amizades que deixei para trás e que recebo sempre com entusiasmo quando estou de volta.

Agora a cidade tem mais turistas, há mais pessoas a falar inglês e há menos estudantes, porque na verdade ninguém é de Budapeste e só estão aqui a estudar ou a trabalhar. Quando isso pára, voltam para as suas cidades natais como Szolnok, Tatabanya, Pecs ou Szeged...

E desengane-se que é fácil chegar aqui. 20 horas de viagem separam a capital romena das margens do Danúbio húngaro. 20 horas em que se dorme, lê, começas a falar sozinho e não queres saber se mais alguém ouve, voltas a dormir e no meio de tudo isso só ainda passaram 4 horas e tens mais dezasseis para ir.

Isto é algo comum nesta parte da Europa e sinceramente não mudava. Há algo de encantador, de místico nessa aventura de atravessar dois países na escuridão da noite e ouvir o baloiçar da carruagem , que avança lentamente, pelos carris ferrugentos.

E depois de toda essa viagem cheguei à minha segunda casa, onde conheço as ruas de cor e onde há poucas surpresas para descobrir.

Contudo, adoro aqui estar e se pudesse ficava mais tempo, porque uma semana não é suficiente para se trabalhar, conhecer novas pessoas, re-encontrar amizades, festejar e relaxar. Tudo acontece mais rápido do que aquilo que eu gostaria. Mas é assim.

Budapeste é uma boa cidade. Budapeste é a minha segunda casa e aqui não me falta nada.

O Parlamento Húngaro. Uma das pequenas "coisas" porque passo todos os dias.

texto não revisto, potenciais erros ortográficos poderão ser encontrados

sábado, 7 de junho de 2014

A Alegria de Viajar

Eu conheci-te em Tirana e agora estamos em Ohrid. A ti, nunca te conheci, mas é como se fosses meu amigo de sempre. E tu, quem és? É claro que somos amigos, mesmo esquecendo os nomes um do outro, mas a partir do momento em que apertamos mãos tirávamos a camisa um pelo outro e existe um compromisso de companheirismo e de atenção dada.

Caminhamos pelas ruas de pedra da cidade, num grande grupo de seis pessoas, um de cada parte do mundo: eu, o único deste continente. Apesar de virmos de lugares tão distantes do mundo, com tão poucas coisas em comum, encontramos mais semelhanças nas nossas maneiras de ser e de ver o mundo do que em anos nas nossas cidades natais.



Os hostels são uma espécie de Nações Unidas, em que eu gosto de acreditar, as melhores pessoas de cada país se conhecem e travam amizades, romances, aventuras e sonhos. O caminho faz-se com cada passo que damos, perdidos em trilhos florestais junto ao lago que nos fascina a todos da mesma maneira.

Entre nós não há ego, não existe desconfiança e vivemos a mesma espécie de liberdade que procuramos desde que éramos adolescentes, com sonhos de conquistar o mundo e ver algo mais para além do imediatamente alcançável.

Eu, à vossa beira sou um viajante inexperiente, - principal quando comparado com os australianos -, mas não existem sentimentos de superioridade. Pelo contrário, apenas uma vontade de elogiar o meu país: a comida, as praias e o bom tempo. Fico contente com as suas palavras e gosto de acreditar que são verdadeiras.

Sentamo-nos na areia negra da praia, deitados a apanhar sol que se esconde por detrás das nuvens, que protegem que metade de nós fiquem com a pele torrada e que a outra metade tire a camisola e agradeça por estar habituada ao calor. Alguns de nós mergulham na água e outros ficam sentados, a contemplar a diversão e a simplicidade que a nossa vida se tornou. Como poderíamos não gostar disto? Perguntamo-nos como é que aguentamos tantos anos sem viajar, em trabalhos frustrantes e a estudar disciplinas, que fundamentalmente não gostamos. Nada disso importa, porque agora éramos nós que aproveitávamos a vida e apesar de todos serem os melhores anos da nossa vida... Estes momentos tinham que encontrar nessa colecção.

Eu sei que o mais importante, numa viagem, ou mesmo na grande viagem da vida é quando se partilha a felicidade, com amigos de longa data ou recém conhecidos, que fundamentalmente são os mesmos. Esses momentos partilhados são aquilo de que te vais lembrar, aquilo que vais adorar contar às outras pessoas e de onde irão vir as tuas melhores histórias sobre viagens.

Todos nós conseguimos ver monumentos, mas quais são as melhores memórias que temos: passar por uma estátua milenar, tirar fotografias e continuar em frente... ou passar pela mesma estátua, comentar com as pessoas com quem estás e rirem de algum defeito na cara da representação?!

Quantos passam por cidades como Paris e a única coisa que se lembram é a Torre Eifell? Será que isso é conhecer a cidade, quando vês o mesmo que todas as outras pessoa vêm?

A maior alegria de viajar, e da vida, é quando te dás a liberdade de acreditar nas outras pessoas e que fundamentalmente todos queremos o mesmo.


sexta-feira, 6 de junho de 2014

Dia Chuvoso em Skopje


O que se pode fazer quando começa a chover torrencialmente em Skopke, na Macedónia? Nada...