domingo, 25 de maio de 2014

No Convés de um Ferry Boat

Bari, Itália 
23 de Maio, 2014






São 9 da noite de sexta-feira e estou num navio que me irá levar pelo Adriático até à costa montenegrina. Esta viagem começou às 11 da manhã de hoje e pressinto que só vai terminar depois do meio-dia de amanhã. 

Não é a primeira, mas já começo a fazer hábito destas viagens de 24 horas, com mudanças de transporte e longas horas de espera pelo meio. Cheguei a Bari, uma das maiores cidades da costa oriental de Itália, perto das 5 da tarde e como podem perceber ainda faltam duas horas até o navio partir. Entretanto escrevo no convés e bebo cerveja dos balcãs a preços inflacionados.

Não sei para onde vou depois de Montenegro: talvez Albânia, talvez Macedónia, tudo depende das possibilidades das viagens e de quantos dias me perco por Podgorica, Budvar e Kotor. 

Aqui em Bari há uma atmosfera engraçada, em que as pessoas falam alto, passam tardes sentadas a apanhar sol enquanto a máfia albanesa circula nos seus carros de alta cilindrada, ou andam de um lado para o outro, à frente do porto, a tratar dos seus negócios.

Para trás ficou a costa amalfitana, Salerno e Nápoles. Agora os camiões iniciam a sua vagarosa marcha para dentro do navio, enquanto a sala de dormidas se encontra repletas de camponeses de Montenegro, Kosovo e Roménia. É um público estranho, que ri de piadas que não compreendo e em que os homens se beijam três vezes na cara.

O dia foi passado a comer biscoitos de champagne e uma garrafa de água, nutritivo e saudável, com muitas horas de leitura em cima e mais algumas de escrita que me deixam exausto e com a única certeza que a oportunidade que tenho para dormir é sentado, numa cadeira, numa sala cheia de pessoas que também deixam o “ocidente” e entram no mundo dos Balcãs. 

Pela estrada mais longa...

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