quarta-feira, 30 de abril de 2014

Há Sítios Maus Para Ficar e Depois Há o Unreal Hostel

Há sítios maus onde se ficar e há sítios bons. Depois há quartos que nos fazem amaldiçoar a vida e com ela toda a sorte que nos falta e claro, noutras ocasiões é difícil de acreditar que é mesmo naquele sítio onde vamos passar a noite: o sofá da segunda sala é mais confortável do que qualquer cama em que alguma vez dormiste.

Viajar é assim, uma sucessão de alegrias e desilusões, de expectativas furadas e glórias furtuítas.

Na minha viagem aos Estados Unidos dormi em chãos de tijoleira, em colchões de espuma e em camas senhoriais. Também fiquei em quartos minúsculos e frios, divididos com mais quatro tipos; como também tive quartos só para mim em autênticas mansões, casas que valem milhões de dólares. E não, não estou a exagerar.

A píscina de uma das casas de milhões onde fiquei


Posso dizer que no final da viagem me tornei num especialista em imobiliária.

Contudo, nunca na minha vida conheci um hostel mais fraco, com piores condições, com um staff tão mal preparado para o que estava a fazer do que neste último fim-de-semana que passei em Lisboa. O nome do hostel avisa o viajante para a qualidade irreal do serviço.

Não há muito a dizer da segurança e da localização do Unreal Hostel, que são perfeitas. Porém, tudo o resto é uma autêntica casa a arder. A primeira pergunta que me fizeram quando lá cheguei e estava a fazer o check-in foi: "Quanto é que tem a pagar?"

Não sabia, isso era a responsabilidade dele. Depois do tipo não encontrar onde estava a ficha do meu processo, fez contas num papel a dois dias, acreditando no número que lhe disse que cada noite deveria de custar. Depois desta confusão inicial surgiu um outro problema: não havia chave para o meu quarto, não estava em parte alguma do hostel para ser encontrada: arrecadação, lavandaria, cacifos, debaixo da secretaria. Ligaram à empregada de limpeza e foi esta, que no conforto de sua casa a ser incomodada por irresponsabilidade alheia, lhe disse onde estava a chave.

Entretanto chegou um outro tipo, que aparentava ser o chefe, que também tinha mais de 60 anos e com uma clara falta de visão de como operar um hostel. Disse-me logo que não tinham multibanco, que não havia forma de terem lucro com as taxas que lhes eram cobradas. Depois pede-me 10 euros de caução. "São 5 das chaves do cacifo, mais outros 5 da chave do quarto." Olhei estupidamente para ele sem reacção. Depois este lembra-se que afinal tinha que pagar mais 5 por causa da caução da toalha e quando digo que aquilo não fazia sentido nenhum, ter que deixar quase tanto dinheiro de caução como de estadia, esse tipo mais velho diz o seguinte: "Não faz sentido, porquê? Em todos os hostels e mesmo hóteis é assim, não deve de andar muito actualizado."

Sorri e jocosamente perguntei se o hostel estava aberto à muito tempo. Só isto demorou mais de meia hora e eu ainda tinha que ir jantar. Eram 22 horas e trinta minutos.

Quarto de Hostel em Nova Orleães: um luxo à beira do Unreal Hostel, de Lisboa
 Já num outro dia, ao chegar a meio da tarde ao hostel e a precisar de descansar, encontro o mesmo tipo atrás do balcão a ver futebol. Não olhou para mim, não disse absolutamente nada. E eu, numa tentativa de fazer conversa, porque não gosto de fingir que as pessoas não existem, fui atirado ao tapete com respostas monossilábicas e de um total desinteresse pelo que estava a dizer.

Apesar de isto ser mau, haviam outras coisas que simplesmente não faziam sentido: não havia sítio para pendurar as toalhas e roupa na casa-de-banho, os espelhos tinham sido lavados pela última vez em 1873, havia uma única tomada em todo o quarto, que era de quatro pessoas, e o pequeno almoço... era simplesmente mau.

Por isso, se quiserem ir a Lisboa e tenham que ficar ali para os lados do Marquês evitem a todo o custo este hostel. Se nem em época baixa sabiam o que estavam a fazer, então nem quero imaginar como será a meio do Verão.

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