A verdade é que para mim o ano de 2014 não foi um ano propriamente pródigo em termos de viagens. Na verdade foi o ano em que menos viagem desde que comecei a viajar e isso está-me atravessado como uma espinha de peixe presa na garganta.
Apesar de ter estado fora de Portugal durante um mês e três semanas, - o que para muita gente é mais do que as proverbiais duas semanas de férias - sinto que não viajei tudo aquilo que queria ter viajado. Durante o curso dos meses e semanas houve viagens que foram adiadas, canceladas, que não chegaram a ser marcadas e outras que não passaram para além dos meus pensamentos.
Londres -> não passou das pesquisas
Bucareste em Outubro -> cancelada por 3ª partes
Medellin, Bógota em Julho -> cancelada por falta de verbas para o voo de regresso
Tailândia, Novembro -> cancelada minutos antes de comprar o voo, pela proposta de publicação do meu livro
E isto mexe comigo...
Para algumas pessoas viajar pode ser um hobby, pode ser uma certa vontade que têm, pode ser algo que gostem de fazer, mas para mim... é uma necessidade. Para mim viajar é (quase) tão importante como respirar, dormir, comer ou beber água.
Sinto-o no meu corpo e sinto-o mentalmente.
O Meio em que Te Encontras
Mesmo que não queira, eu sou uma pessoa mais influenciada pelo meio em que vivo do que gostaria. Se estiver a viver numa cidade festiva, alegre e relaxada então irei absorver uma grande parte disso. Se viver numa cidade aborrecida, soturna e onde as pessoas são fechadas... então vai ser isso em que me vou tornar.
Hoje acordei a pensar na minha vontade em celebrar a Passagem de Ano, em sair à noite e percebi que é muito pouca (acrescendo ao facto de ter passado a última semana doente). E perguntei-me pela primeira vez se realmente gosto de sair à noite, de passar de bar em bar com copo na mão e meter conversa com pessoas.
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| Terminal de Autocarros de Berat, Albânia |
A resposta foi a razão porque estou a escrever este texto...
Não, aqui em Portugal não. Contudo, em Bucareste, em Nova York, em Los Angeles ou até na minha segunda casa em Budapeste eram raras as noites em que não saía de casa à noite e chegava com histórias para contar.
É, de facto é um fenómeno estranho, mas o sítio onde me encontro influência muito a minha maneira de ser e de estar na vida. E essa é a razão porque viajo, porque preciso de viajar, porque quando estou numa nova cidade a minha mente funciona a uma velocidade mais rápida que o normal, porque sinto um fascínio pelas pessoas à minha volta que não consigo sentir em casa, porque é das poucas maneiras em que me consigo sentir concretizado.
E essa é a razão da minha obsessão em viajar e também a razão de olhar para trás e torcer os lábios em frustração perante um ano que não sentir ter sido totalmente aproveitado na quantidade viagens feitas.



