quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Viajar com um orçamento limitado

Ainda... Austin, Texas

Éramos para sair da cidade na terça, adiamos a partida por um dia. Éramos para sair da cidade ontem, adiamos a partida por mais dois dias. No total é uma semana completa no coração do Texas. 

Também não era suposto estar a escrever este texto, pois tinha a ideia de publicar um vídeo, mas por alguma razão o meu telémovel não está a fazer o upload, deixando-me sem grande solução. Vocês merecem...

Algo que me perguntaram duas vezes na última semana é: "Como é que tens dinheiro para viajar?"

É uma pergunta curiosa e aposto que muitos de vocês se perguntam o mesmo. Afinal, como é que estou a financiar esta aventura pela América do Norte?

Eu passo a explicar...

O propósito desta viagem não é apenas viajar, visitar e ir na aventura. Todos nós trabalhamos durante várias horas todos os dias. Eu dedico o meu tempo a coaching e a escrever. O Cory a comprar e vender casas através da internet. O Jordan a vender coaching e o Knut passa dias seguidos colado no computador a montar um website. 

Os fins-de-semana são também o periodo de maior intensidade, em que trabalhamos com os estudantes que vêm fazer workshops connosco e que nos pagam para serem os melhores amantes que se permitem a ser. 

Esta é uma das fontes de rendimento. A outra é poupança básica. Antes de iniciar esta viagem, tinha algumas poupanças que fui juntando ao longo dos anos e decidi que era tempo de tirar rendimento de todo esse tempo. Contudo, apesar de não ter que suar a cada minuto por não ter dinheiro para a refeição seguinte, há uma constante urgência no ar de poupar o máximo possível. 

Há viajantes que gostam de experiênciar tudo o que o dinheiro pode comprar ao máximo, eu por outro lado gosto de estender o meu orçamento o mais possivel e isto só é possivel quando se retiram todos os luxos da vida. E isso inclui... bem, vocês sabem, já falei disto várias vezes nos últimos textos.

Vejamos, por dia gasto por média 8 a 10$. Ao final de um mês isso são 300$. Ou seja, muito menos do que aquilo que pensam ser preciso para viajar e cruzar um continente. Tudo depende do conforto que querem ter. Por exemplo, posso dizer que durante toda a viagem gastei um total de 40$ em alojamento. É uma escolha de preferir o chão de desconhecidos e de no processo transformar um casaco em colchão, e de um blazer em cobertor. Há quem não se queira sujeitar a isso, eu compreendo... Tudo é uma equação de quanto estás disposto a por em jogo e quanto queres poupar.

Sim, é verdade que podia poupar mais dinheiro em alimentação, mas no geral sou demasiado preguiçoso para comprar alimentos e cozinhar, por isso os 10$ diários são gastos em comida e café. Sim, a maioria são sandes e aí a procura torna-se divertida, porque entro num jogo de comparar preços e porções, antes de dizer se quero ou não, pergunto pelo preço. 

Podem pensar que se uma viagem é para viver assim, então onde está a diversão? A verdade é que a diversão da viagem não vem das coisas que compras ou daquilo que o dinheiro te pode oferecer. A diversão vem com as conversas aleatórias com pessoas em bares e cafés, com pessoas que conheces e deixas para trás quando partes para uma nova cidade e da aventura que crias ao longo do caminho. O dinheiro não pode comprar essa diversão e é mais díficil criar isso, do que comprar o próximo pedaço de entretenimento. Por isso, acreditem que há bastante diversão.

Há alguma parte que não gosto por ter que poupar dinheiro? Claro que há e não tem nada haver comigo. Há dias em que perfeitos desconhecidos, ou melhor, pessoas que acabas-te de conhecer há algumas horas te convidam para jantar e pagam a refeição a todos, há pessoas que abrem as portas de sua casa e não pedem nada em troca e que acabar por dar mais do que deviam. 

Por vezes sinto-me mal por não poder retribuir essa generosidade e se há um factor que me motiva a fazer dinheiro é um dia poder retribuir esta generosidade que tenho recebido ao longo da viagem. É um sentimento leve de culpa, mas está lá e não há forma de a ultrapassar. 

Assim termino os meus relatos a partir de Austin, no Texas profundo. Se não viajam porque acham que não têm dinheiro suficiente, então parem de arranjar desculpas. Se consideravam que este é um estilo de vida miserável, então desenganem-se porque as reais experiências não vêm a partir do dinheiro, mas da interacção com as outras pessoas.

Enquanto não posso ser generoso com o meu dinheiro, tudo aquilo que posso dar ao mundo é a minha presença, atenção e amor. Talvez isso seja mais importante, e mais raro, do que qualquer outra forma de generosidade.

Love,
João



1 comentário:

  1. João,
    tenho adorado ler sobre a tua viagem (dentro e fora), na verdade acho que estamos todos com inveja porque é algo que no fundo todos gostávamos de ter coragem para fazer! Não te vejo há uns anos mas vejo que te tornaste uma pessoa cheia daquilo que é mais importante para mim,conhecermo-nos a nós mesmos e ao outro.
    e...felicidade,liberdade,insanidade..
    continua.
    nós vamos lendo.
    Até ao teu regresso!
    beijinhos andreia

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