Para aqueles que se questionam de o porquê de ter escrito dois textos praticamente identicos, aqui fica a resposta:
Os dias na estrada deixam-me confuso quanto àquilo que tenho que fazer, que fiz e sobre o que devo de escrever. Por isso, quando escrevi o último texto não fazia a menor ideia que já tinha abordado o tema anterior. Coisas que acontecem...
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Há algo de mágico em escrever isto a partir dos jardins de uma villa, em Miami Beach. Lembro-me, ainda antes desta viagem ter começado, que iamos cobrir a maioria das grandes cidades da América do Norte e ficava a faltar Miami... E assim o destino colocou-nos aqui, no calor tropical de Novembro, em que a regra é calções, óculos de sol e havaianas. Sim, isto em Novembro...
Miami é uma cidade engraçada, para além das praias magnificas e feitas pelo homem, - consegue-se sentir o betão por baixo da areia-, o que mais me fascina é a identidade tão própria da cidade, que a maioria das cidades americanas não tem. Aqui as pessoas têm um sentido próprio de como se vestir, como andam e como se comportam é como se estivessem sempre observados por uma câmara que os pode transportar para o palco da fama.
Assim, tudo é pensado: o guarda-roupa e claro: o carro que conduzes diz mais sobre ti do que qualquer palavras que possas dizer, não esquecendo os corpos tonificados que se exibem na praia. Quem não é visto, não é lembrado e toda a gente se lembra disso mesmo.
Lamborghinis, Ferraris, Corvettes, BMW's modificados, aparelhagens ambulantes, tatuagens a corbrir os corpos e cinturas bamboleantes e rabos trabalhados. É um baile de máscaras em que a máscara és tu mesmo e aquilo que queres transmitir.
Para além desta identidade tão própria, em Miami fala-se tanto inglês, como se fala espanhol. Ouve-se francês e a quantidade de pessoas a falar russo é para além daquele que se pode imaginar. Já para não falar da pequena Havana e dos bairros criolos do pequeno Haiti e Jamaicatown.
Miami é uma das minhas cidades preferidas, sem sombra de dúvida. E a toda esta paisagem construída pelo homem em interface com a natureza à volta, junta-se o facto de ter dormido numa cama de verdade, pela primeira vez em mais de um mês. Isso mesmo, dormi numa cama, com colchão, lençois e cobertores e tinha a cama só para mim. Isso foi bom! Mas claro, em todos os sonhos chega uma altura em que acordamos e voltamos à realidade e volto a aprender a viver sem luxos: voltar a dormir no chão, com um blazer para me cobrir e um monte de camisolas a fazer de almofada, mas será que me posso queixar? Esse é um pequeno preço a pagar pela liberdade de poder fazer aquilo que quero, quando quero e viver na liberdade total de não saber onde vou passar a próxima noite e os próximos dias. É o reverso da medalha e não custa tanto como pensava, uma vida sem luxos e com simplicidade máxima é uma bela lição para me aperceber do quão preciso para ser feliz.
É um reset total a tudo aquilo que pensei ser necessário para viver e ser feliz.
Este é o outro reverso da medalha:
Amor,
João

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