Por vezes o mais barato sai caro.
Na normal tentativa de poupar dinheiro, quando se viaja, muitos de nós temos a tendência de escolher sempre o hostel mais barato, a solução que não nos obrigue a tirar mais dinheiro da carteira, o restaurante mais acessível, o voo menos dispendioso...
Contudo, com o passar dos anos e com a experiência de diversas viagens aprendi que nem sempre o mais barato é... mais barato!
Sim, é verdade!
Se já sabia isto, na última viagem que fiz de Budapeste para Portugal, acabei por ter a confirmação absoluta desta falácia do viajante.
O que aconteceu é que por uma diferença de 60€ marquei as passagens através de duas companhias low-cost. (Apesar de não gostar de divulgar pormenores, desta vez vou ter que o fazer, tendo em conta aquilo que me fizeram). De Budapeste seriam 2 horas até Eindhoven, mais seis horas de espera, mais 2 até chegar ao Porto. Wizzair mais Ryanair.
Até aqui tudo bem, porque a outra solução era ir pela TAP. E eu preferi salvar 60€.
Contudo, qual é a minha surpresa quando ao entrar para o voo da Wizzair me é perguntado se viajo com uma mala de cabine grande ou pequena. Eu não sabia que havia uma diferenciação entre malas de cabine e por isso olhei confuso para a senhora que me colocou a pergunta. Ao olhar para o espaço em que era suposto enfiar a mala, percebi que apenas se transportasse uma mochila (pequena) é que iria conseguir colocar ali a minha bagagem.
"Grande.", disse, confuso e sem perceber o que estava prestes a acontecer.
"Então, tem que pagar uma multa de 45€ por não ter registado que transporta uma mala grande consigo."
Eram 4 da manhã, não tinha dormido nessa noite, estava ligeiramente alcoolizado e sem entender o que aquilo significava vi serem-me roubados 45 euros com um profissionalismo de mestre.
Ou seja, devido a uma política que apenas lembra a gatunos profissionais, logo vi o meu orçamento ser reduzido e a margem de salvação que tinha de 60€ passou a ser reduzido para 15...
Ao chegar a Eindhoven às 8 da manhã e sem nada para fazer, resolvi apanhar o autocarro até ao centro da cidade: a estação de comboios. Quando lá cheguei... Bem, aquilo era uma estação de comboios no meio de uma zona meia-urbana, meia-industrial e não havia absolutamente nada para se fazer. Zero esplanadas, zero cafés, zero movimento pedonal. Olhei à volta e percebi imediatamente o erro que tinha acabado de cometer. Fiquei duas horas, a matar tempo, a olhar para paredes e para o movimento constante de autocarros que chegavam e partiam. Ida e volta para o aeroporto custou-me no total 7€. Tendo em conta o meu pequeno almoço de duas sandes, acabei por perder mais dinheiro do que se tivesse marcado um vôo directo pela TAP.
Para além do dinheiro, tinha ganho tempo, energia, comida, claridade mental e não tinha que aturar um roubo descarado às 4 da manhã.
Como podes ver, por vezes o mais barato... é bastante mais caro.
(A ser continuado...)
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