Eu conheci-te em Tirana e agora estamos em Ohrid. A ti, nunca te conheci, mas é como se fosses meu amigo de sempre. E tu, quem és? É claro que somos amigos, mesmo esquecendo os nomes um do outro, mas a partir do momento em que apertamos mãos tirávamos a camisa um pelo outro e existe um compromisso de companheirismo e de atenção dada.
Caminhamos pelas ruas de pedra da cidade, num grande grupo de seis pessoas, um de cada parte do mundo: eu, o único deste continente. Apesar de virmos de lugares tão distantes do mundo, com tão poucas coisas em comum, encontramos mais semelhanças nas nossas maneiras de ser e de ver o mundo do que em anos nas nossas cidades natais.
Os hostels são uma espécie de Nações Unidas, em que eu gosto de acreditar, as melhores pessoas de cada país se conhecem e travam amizades, romances, aventuras e sonhos. O caminho faz-se com cada passo que damos, perdidos em trilhos florestais junto ao lago que nos fascina a todos da mesma maneira.
Entre nós não há ego, não existe desconfiança e vivemos a mesma espécie de liberdade que procuramos desde que éramos adolescentes, com sonhos de conquistar o mundo e ver algo mais para além do imediatamente alcançável.
Eu, à vossa beira sou um viajante inexperiente, - principal quando comparado com os australianos -, mas não existem sentimentos de superioridade. Pelo contrário, apenas uma vontade de elogiar o meu país: a comida, as praias e o bom tempo. Fico contente com as suas palavras e gosto de acreditar que são verdadeiras.
Sentamo-nos na areia negra da praia, deitados a apanhar sol que se esconde por detrás das nuvens, que protegem que metade de nós fiquem com a pele torrada e que a outra metade tire a camisola e agradeça por estar habituada ao calor. Alguns de nós mergulham na água e outros ficam sentados, a contemplar a diversão e a simplicidade que a nossa vida se tornou. Como poderíamos não gostar disto? Perguntamo-nos como é que aguentamos tantos anos sem viajar, em trabalhos frustrantes e a estudar disciplinas, que fundamentalmente não gostamos. Nada disso importa, porque agora éramos nós que aproveitávamos a vida e apesar de todos serem os melhores anos da nossa vida... Estes momentos tinham que encontrar nessa colecção.
Eu sei que o mais importante, numa viagem, ou mesmo na grande viagem da vida é quando se partilha a felicidade, com amigos de longa data ou recém conhecidos, que fundamentalmente são os mesmos. Esses momentos partilhados são aquilo de que te vais lembrar, aquilo que vais adorar contar às outras pessoas e de onde irão vir as tuas melhores histórias sobre viagens.
Todos nós conseguimos ver monumentos, mas quais são as melhores memórias que temos: passar por uma estátua milenar, tirar fotografias e continuar em frente... ou passar pela mesma estátua, comentar com as pessoas com quem estás e rirem de algum defeito na cara da representação?!
Quantos passam por cidades como Paris e a única coisa que se lembram é a Torre Eifell? Será que isso é conhecer a cidade, quando vês o mesmo que todas as outras pessoa vêm?
A maior alegria de viajar, e da vida, é quando te dás a liberdade de acreditar nas outras pessoas e que fundamentalmente todos queremos o mesmo.


Sem comentários:
Enviar um comentário