Desde o inicio desta viagem que haviam poucas coisas sobre as quais tinha a certeza. Uma delas era que o destino final iria ser Budapeste. E surpresa das surpresas... Cá estou!
Eu tenho uma relação engraçada com esta cidade, porque vivi aqui quase um ano e sempre que posso volto a aterrar aqui, de uma maneira ou de outra. Há varias coisas apelativas nesta cidade e se é um paraíso turístico, - que é -, o meu principal interesse prende-se com outras actividades e locais, que a maioria dos turistas acaba por nunca conhecer.
Verdade, conheço estes sítios porque passei aqui muitos meses...
Contudo, enquanto que por aqui ando, não tenho qualquer interesse em visitar a Catedral de São Estevão, tirar fotografias à frente do Parlamento ou visitar a Praça dos Heróis. Já visitei todos esses locais mais que uma, duas ou até dez vezes e por isso o meu percurso nesta cidade acaba por centrar-se em cafés escondidos, esplanadas, bares e amizades que deixei para trás e que recebo sempre com entusiasmo quando estou de volta.
Agora a cidade tem mais turistas, há mais pessoas a falar inglês e há menos estudantes, porque na verdade ninguém é de Budapeste e só estão aqui a estudar ou a trabalhar. Quando isso pára, voltam para as suas cidades natais como Szolnok, Tatabanya, Pecs ou Szeged...
E desengane-se que é fácil chegar aqui. 20 horas de viagem separam a capital romena das margens do Danúbio húngaro. 20 horas em que se dorme, lê, começas a falar sozinho e não queres saber se mais alguém ouve, voltas a dormir e no meio de tudo isso só ainda passaram 4 horas e tens mais dezasseis para ir.
Isto é algo comum nesta parte da Europa e sinceramente não mudava. Há algo de encantador, de místico nessa aventura de atravessar dois países na escuridão da noite e ouvir o baloiçar da carruagem , que avança lentamente, pelos carris ferrugentos.
E depois de toda essa viagem cheguei à minha segunda casa, onde conheço as ruas de cor e onde há poucas surpresas para descobrir.
Contudo, adoro aqui estar e se pudesse ficava mais tempo, porque uma semana não é suficiente para se trabalhar, conhecer novas pessoas, re-encontrar amizades, festejar e relaxar. Tudo acontece mais rápido do que aquilo que eu gostaria. Mas é assim.
Budapeste é uma boa cidade. Budapeste é a minha segunda casa e aqui não me falta nada.
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| O Parlamento Húngaro. Uma das pequenas "coisas" porque passo todos os dias. |
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