terça-feira, 1 de abril de 2014

O Outro Lado de Viajar

Agora não posso viajar:

Porque agora não tenho dinheiro...
Porque tenho que acabar de estudar...
Porque não tenho férias...
Porque combinei um jantar com um amigo...
Porque ando a ver esta rapariga/rapaz...
Porque vou ter férias e não quero perder o jogo de...







As desculpas para não se começar a viajar, são infinitas e depois ainda existem mais algumas. O dia em que tudo se irá alinhar e vai ser perfeito para viajares, nunca irá aparecer. Se estiveres à espera que as estrelas se formem numa constelação perfeita e não tenhas que deixar nada para trás antes de começar a viajar, então é possivel que vás estar à espera durante muito tempo.

A decisão de pegar numa mochila e começar a apanhar aviões, estar a horas em estações de comboio e percorrer milha após milha de autocarro é mais díficil do que todas essas horas, manhãs sem dormir e desconforto que irás sentir. Tomares essa decisão e avançares em frente é provavelmente das coisas mais díficeis que irás fazer. E também das mais corajosas.

Algo que as pessoas que nunca viajaram durante um longo periodo de tempo não conseguem sentir é que ao mesmo tempo que ganhas memórias, visões, fotografias, novas amizades também deixas para trás muitas outras coisas que te fazem feliz: o aniversário de familiares, jantares de amigos, o crescimento das crianças que a familia tem, os passeios com o teu cão ao final do dia, as raparigas com que sempre sonhaste ter algo.

Tudo isso fica para trás, porque não podes ter tudo na vida. Porque se escolhes um lado da moeda, o outro lado fica por ver e o máximo que podes fazer é balançar entre a cara ou a coroa.

Por isso é que nunca é a altura certa para viajar, porque por mais que tentes irá haver sempre algo entre aquilo que queres fazer e o teu dia-a-dia.

Eu conheço um engenheiro informático que se despediu para viajar pela Europa.
Conheço um director de uma empresa que apresentou a carta de demissão e viajou por mais de 8 anos, um pouco por todos os cantos do mundo.
Um professor universitário que fez o mesmo.
Um estudante que marcou umas férias de dois meses e há mais de doze anos que é um nómada, ficando por vezes mais de um mês no mesmo sítio.
Conheço um psicologo, que começou a viajar e já esteve em mais de 68 países em mais de dez anos.

Claro que nem todas as viagens tem que ter a duração destas, mas o espirito está lá e enquanto a maioria das pessoas os inveja por tudo aquilo que viram e viveram esquecem-se daquilo que durante esse tempo não tiveram, e não podem ter.

Qual é o lado da moeda que preferes?

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