Aqui deixo as 3 razões que não te devem fazer viajar. Falo por experiência própria e servem de aviso para quem quer viajar e não sair desiludido.
1) Para Impressionar os Amigos
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| Tal como ninguém quer saber das tuas supostas fotografias "artísticas" |
É raro eu contar aquilo que me aconteceu nas viagens, na verdade talvez conte uns 5%, o resto fica comigo. Não porque eu não queira partilhar, simplesmente porque não interessam a mais ninguém. Mesmo as fotos que tirei... ninguém as quer ver.
Se a tua motivação para viajar é para que as pessoas à tua volta te admirem e fiquem fascinadas com aquilo que tu fizeste, então esquece... não viajes. A verdade é que os teus amigos, familiares e afins podem perguntar-te como foi, algumas perguntas genéricas mas ninguém te vai querer ouvir durante duas horas sobre as paisagens que viste, as conversas super interessantes sobre o busão de Highs com um Upanishad Indiano em Amesterdão ou das raparigas que conheceste.
Quando te aperceberes disso e em cada oportunidade contares como "por falar nisso, quando estive em..." só irás estar a bater num cavalo morto que por mais que lhe batas não irá andar.
O que me leva para o segundo ponto:
2) Seres melhor que os outros
| O Exemplo de Dois Viajantes Superiores ;) |
Na minha experiência de viajante não há nada mais irritante do que alguém que se acha superior por já ter estado em mais sítios/ em melhores alturas/ no hotel do lado que era muito melhor/ por já ter tirado mais fotografias/ por conhecer mais locais remotos e por isso ser mais tolerante perante a diferença.
Se fazes isto, então parabéns: é um idiota das viagens. Nos hostels que encontrei, não há nada pior do que alguém que te responde "Sim, essa cidade é fixe. Mas há três anos, quando lá estive, era muito melhor e ainda por cima eu fui na altura do festival do caramelo torrado. Se perdes esse festival perdes a essência da cidade."
A sério? Ninguém quer saber e não estás a ajudar a tua causa em seres uma pessoa mais tolarante como gostas de apregoar. Isso acaba por demonstrar precisamente o contrário.
Num hostel em Praga conheci um francês que viajou durante mais de um ano pela Argélia a ajudar pessoas carênciadas. Quando lhe perguntei o que achava da Républica Checa ele respondeu que era igual a todos os outros países europeus: racista. Surpreendido encolhi os ombros e continuei a escrever, no meio da conversa ele diz que há alguns anos tinha ido visitar a familia da mãe às ilhas Mauricias. Ao perguntar se ele também era de lá a resposta foi: "Está a ver como os Europeus são racistas. E se for sou imigrante sou diferente?"
Sorri, encolhi os ombros e não voltei a falar com ele.
3) Para Colecionar Mapas e Carimbos
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| Será que ter o carimbo do CheckPoint Charlie equivale a ter estado em Berlim Oriental antes do muro?? |
Lembro-me que na Expo 98 haviam passaportes que se podiam carimbar quando se entrava em certos pavilhões. Nesse ano corria por entre as filas, passando à frente dos adultos, entrava no pavilhão corria para a banca dos carimbos e voltava para junto dos meus pais.
Há viajantes que me fazem lembrar esta versão de quem eu era enquanto criança. Apressados, correm de monumento em monumento, de fronteira em fronteira, com as suas máquinas fotográficas e gabam-se de dizer que em duas semanas visitaram dez países. Check, check, check. Já não há qualquer interesse em voltar lá. Desde que o carimbo esteja estampado no seu passaporte, ou no seu passaporte imaginário, está visto.
É sempre engraçado ouvir dizer alguém que conhece bem a França quando passou dois dias em Paris. O que viu nesses dois dias? A Torre Eifell e o Arco do Triunfo. Ou então alguém que acorda às 6 da manhã e faz autenticas maratonas para ver todos os edificios, museus, praças e igrejas que existam num raio de cem quilómetros.
Como é que alguém diz que conhece Paris quando apenas viu aquilo que o mapa tem para lhe oferecer? Ou que percorreu todas as cidades passando o sinal de visto em cada uma delas?
Hoje em dia prefiro caminhar tranquilamente pelas ruas de uma cidade, perder-me e voltar a encontrar-me numa esplanada a falar com um local e a partilhar uma garrafa de vinho com esse desconhecido e depois deixar o que tiver de acontecer... acontecer.
Quem conhece melhor Paris aquele que tira as fotografias e passa de local em local sem prestar atenção às pessoas ou alguém que é convidado para casa de desconhecidos para partilhar uma refeição e um sem fim de histórias?


Concordo plenamente!
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