quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O Dia Em Que Me Tornei Um Vagabundo...

... Pelo menos para a minha família e para os amigos mais próximos.

Se tu decides ir viajar, seja por um mês, seis meses ou um ano: tu és um vagabundo, irresponsável, sem noção do que é viver, preguiçoso, inconstante, sonhador, mimado, sem futuro nenhum. Isso mesmo, se decidires que aquilo que queres fazer da tua vida é viajar e escapar à rotina padrão da sociedade é isso mesmo em que te irás tornar.



Ou será aquilo que a tua família vai pensar.

Corriam os primeiros meses de 2012 quando decidi pegar no dinheiro que tinha acabado de receber da bolsa de estudos e viajar desde Budapeste para o Porto, de comboio parando em sete capitais europeias. Até aqui, nada de mais, era só "um sem noção do valor do dinheiro."

Alguns meses depois, decido fazer uma viagem a Las Vegas e agora já me começava a tornar num inconsequente.

E há seis meses atrás decidi que me iria tornar em tudo aquilo que escrevi acima. Ao contrário do que eu estava à espera, não houve confettis, abraços, sorrisos de felicidade e incentivos de: "Vai, estás a perseguir o teu sonho!" Não, tudo o que houve foram discussões, gritos, protestos à minha irresponsabilidade, que me iam expulsar de casa, choro compulsivo porque estava a atirar a minha vida a um caixote do lixo e algum tratamento de silêncio. Para não falar nas caras dos meus amigos de total perplexidade quando lhes contei o meu plano de viajar durante 2 meses pela América do Norte.

Como eu era inocente...

Se neste momento fechares os olhos e pensares no próximo destino que queres viajar, e um grande sorriso se formar na tua cara, então... viajar é algo que terá mais valor do que qualquer outra decisão que possas tomar.

Não deixes que ninguém dite ou comande a tua vida, quando aquilo que tu queres fazer é... ser um vagabundo, irresponsável, inconsequente e... Tu percebes.

A reacção das pessoas de quem eu esperava maior apoio era como se estivesse enterrado em heroína. As caras de pânico, os abanares de cabeça, os gritos e o choro... foi exactamente o mesmo. Ainda por cima, eu estava a desistir de um mestrado (!!!) para viajar durante dois meses.

Isso piorou ainda mais, era como se estivesse na heroína, sem casa, com ameaças da máfia, a dever dinheiro a barões da droga e perseguido pela Interpol.

Contudo...

Há algo que as pessoas que nunca viajaram por longos períodos de tempo não percebem: Por mais dinheiro que gastes, por pior que seja as privações que passes enquanto viajas, por mais "sem futuro" seja viajar... nada irá contribuir mais para o teu crescimento como viajares.

E não... uma ida a Madrid durante um fim-de-semana não conta.

Quão bem te podes conhecer se nunca te encontras-te perdido às três da manhã numa cidade desconhecida, sem telémovel, sem mapa e sem saber onde vais dormir?

E há uma razão para as pessoas há tua volta terem essa reacção. Quando nós vemos alguém ao nosso lado a cumprir os seus sonhos, a fazer aquilo que nós gostávamos secretamente de fazer, mas nunca fizemos: então criticar é a melhor defesa que conseguimos arranjar.

Criticamos porque... gostávamos de fazer o mesmo, mas não temos essa coragem.

Por isso, se alguma vez te encontrares na posição em que me encontrei, encara as críticas, os gritos e as caras de pânico como sendo a confirmação que estás a fazer o que é certo.

Se queres mais um exemplo disso: Num domingo à tarde, em Austin com o sol a brilhar e de sandálias nos pés, falava com um amigo nosso sobre o facto de naquele momento poder ter que estar a estudar para um exame que não me interessava para nada, de uma matéria que eu odiava e que me fazia amaldiçoar a vida... Enquanto, que por ser um vagabundo irresponsável, estava a aproveitar os 28º graus de um dia de Outono e ia a caminho de me encontrar com uns amigos mexicanos que conhecemos na noite passada....

Se seguires o teu coração, então nunca poderás estar errado. Se aquilo que queres é viajar, então nenhuma crítica te deve demover disso mesmo.



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