quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Irmandade & o dia em que chorei por 3 outros homens

Santa Bárbara, California

Estou na California há mais de uma semana e tem sido uma semana que me tem deixado pouco tempo para sentar e escrever. Não há o stress de ter que fazer muito, mas há sempre algo a fazer: visitar alguém, passear pelos parques da cidade, conhecer novas pessoas, trabalho ou apenas mais algumas horas finais no carro.

Aquilo que pensava em escrever deixa de ter validade, penso noutro texto e fico sem espaço na agenda para me lembrar do que queria escrever e este processo mental segue sem parar e hoje é o primeiro dia desde há muito tempo que tenho espaço para me concentrar naquilo que quero publicar.

A California por vezes faz-me lembrar Portugal: as cores da paisagem, o pôr-do-sol no oceano, as ondas do mar, os vendedores de fruta na estrada e as serras castanhas cobertas por pequenos arbustos. Será esta uma aclimitização para o meu regresso?

O propósito desta viagem sempre foi a procura de inspiração, a busca de beleza e todas as surpresas que viessem a partir daí seriam sempre bem-vindas. Mas claro, não podemos prever como é que as viagens vão acabar, ou como vão decorrer. 

Posso afirmar por todo o grupo, que as expectativas para estes dois meses eram de diversão, conhecer belas mulheres e relaxar. Afinal,  todos nós trabalhamos na área de dating coach e uma parte do nosso trabalho é falar com mulheres.

Contudo... Esta viagem é mais sobre inspiração, irmandade e a proximidade que se podia criar entre homens. Este é um ritual de passagem, uma viagem espiritual em busca de quem somos e da nossa relação directa com os outros. 

Aquilo que aprendi nesta viagem sobre irmandade é maior do que todas as minhas expectativas. Por vezes, é díficil lembrar-me do quão confiantes e a força de vida que cada um de nós é, - cada um há sua maneira -, e como temos que lidar uns com os outros para evitar choques frontais.

Uma irmandade é o espirito de termos as costas uns dos outros protegidas, que se um caír à ravina caímos todos. Isto é raro de encontrar, ainda mais díficil de gerir quando misturamos os interesses próprios, mas viável.

Se há algo que me sinto agradecido é por ter os amigos que tenho, - tanto os que estão comigo nesta viagem, como os que estão em Portugal ou em qualquer outra parte do mundo. É algo raro poder dizer que neste momento tenho mais de 7 amigos em que confiava a minha vida. Três estão nesta viagem comigo e dois desses conheço à menos de 4 meses

Contudo, aquilo que cria profundidade numa amizade não são os anos, mas aquilo que partilhas, o quão claro te permites a ser e quando estás num ambiente "panela de pressão" como temos estado durante estes meses, não há muito que podes esconder dos outros.

Mais que amizade é um sentido de camaradagem. Amigos que podes não ver durante anos, mas quando os voltas a ver nada mudou.

Qual é a razão para estar a escrever isto agora? Bem, a viagem ainda não acabou é certo, por isso essa não é a razão... 

A razão é simples: num dos dias da nossa estadia em São Francisco decidimos ter uma conversa, que durou horas, em que iriamos por tudo em cima da mesa, sem politicamente corretos, sem restricções, aquilo que estava por dizer. O resultado foi uma das experiências mais intensas porque já passei.

É claro que não vos vou contar aquilo de que falamos, - porque aquilo que acontece numa RoadTrip também fica numa RoadTrip -, mas apenas vos digo que esta foi a primeira vez na minha vida porque chorei por um outro homem. E neste caso por três outros. 

Para quem me conhece e sabe o quão eu proclamo o quanto adoro mulheres, posso dizer hoje que a minha admiração, respeito e honra por outros homens é proporcional ao meu amor por mulheres.

Vemo-nos daqui a uns dias, com mais um texto! Se entretanto tiverem perguntas sobre este artigo ou sobre a RoadTrip não hesitem em contactar-me em: joao.fernandes36@  gmail.com



Paz.

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