segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Despedida no Sul da Califórnia

North Hollywood, Los Angeles

Última semana da RoadTrip, o último dia dos quatro viajantes juntos, o final inevitável de uma travessia pela América do Norte, em que se ganhou mais do que aquilo que se perdeu, em que laços foram criados para não serem mais desfeitos. 

Estes dias são umas mistura curiosa de emoções: felicidade por termos chegado a Los Angeles, a tristeza por dizer adeus ao Knut e ao Cory que partem hoje, - um para Santa Bárbara, para trabalhar num projecto irrecusável e o outro está de volta ao Canadá -, a ansiedade de não saber aquilo que vou fazer nestes últimos 6 dias, o entusiasmo pelas possibilidades que se podem abrir, a vontade de regressar a casa e começar um novo capítulo.

O que vem a seguir? O que irá acontecer nestes próximos dias, que mais aventuras tem o Sul da Califórnia para nós?

Com a barriga vazia, o frio invúlgar por toda a casa e sendo o único acordado, contemplo a sala em que estou. Esta não é uma sala qualquer, é o meu quarto, é a minha casa e no fundo não me é nada: é a casa de um amigo, que não sei se irei voltar a ver depois de regressar a Portugal e esta sala não será mais do que uma memória guardada no meu pensamento e agora gravada em palavras.

Estes nadas apresentam um poder invulgar, o poder de viver no momento, de compreender que o momento presente é mais importante do que qualquer antecipação, do que qualquer refúgio em que me possa querer encontrar. 

E assim também é Los Angeles, uma cidade em que apenas se pode viver no presente, porque é tão disforme, tão monstruosa e tão mal organizada que o pleno pensamento de querer tomar um café e ter que caminhar mais que um quilómetro causa arrepios na espinha. Se não vives no presente, então a cidade deixa de fazer sentido e não vejo o porquê de alguém querer aqui viver se não estiver no momento presente.

Sim, há a praia, há as colinas de Hollywood, mas também há um aspecto sujo, degradante, triste e doentio nas entranhas da cidade, - em que apenas certos refúgios dão uma sensação de humanidade e sanidade.

Hoje não posso escrever mais... Hoje apenas posso viver as últimas horas da RoadTrip com os dois tipos grandes e loiros, que fui compreendendo cada vez mais e cada dia melhor. Hoje é o dia do adeus. Hoje não é dia de escrever...

Paz!

~João Fernandes

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